Aventura Rio Claro

teddsantana | 22 de abril de 2012 | 2 comentários
Aventura Rio Claro

Eram os últimos metros da caminhada e eu estava prestes a vislumbrar algo bastante incomum. Pulei de pedra em pedra subindo mais alguns metros e lá estava ele: o Poço do Encontro com suas águas límpidas e em cores que variavam entre tons de azul e verde. Foi uma visão incrível. Um verdadeiro troféu para os aventureiros que se embrenharam por estradas de roça, trilhas na mata e pelo leito pedregoso do Rio Claro, na Serra do Caparaó. O caminho havia exigido muito esforço e atenção mas vencemos o desafio de avançar passando por fendas, estreitos, saltando de pedra em pedra e subindo metro a metro.

A aventura teve início um pouco antes da fazenda onde se localiza o Albergue do Cedro. O transporte de Alto Caparaó até ali havia sido feito em veículos 4×4, mas o último trecho da estrada representava risco e tivemos que desembarcar para percorrê-lo a pé. Durante o trajeto havíamos cruzado a divisa entre os estados de Minas Gerais e o Espírito Santo. Então estávamos de volta ao Espírito Santo, mais especificamente no município de Iúna.

Trecho 1

Início: 9h57min – Duração: 22 min – Velocidade média: 2,0 km/h

Um pouco antes das dez horas da manhã iniciamos a caminhada após uma rápida reunião para recebermos as instruções do coordenador João Luiz Madureira e do proprietário Rogério  Morineau. Estávamos a 997 metros de altitude com uma bela vista da serra. O trecho de pouco mais de 700 metros nos elevou a quase 86 metros e serviu de aquecimento para a trilha que viria em seguida.

Trecho 2

Início: 10h18min – Duração: 23 min – Velocidade média: 0,7 km/h

O segundo trecho foi mais lento pois fizemos algumas paradas para conhecer a infraestrutura do local. Visitamos o Albergue do Cedro, passamos próximo ao apiário e conhecemos uma pequena usina que fornece energia para a fazenda utilizando as águas do Rio Claro. No final a trilha ficou mais difícil e culminou com uma travessia no rio. Foi o nosso primeiro contato com aquele que seria nosso companheiro por um bom tempo e nos proporcionaria belas paisagens – o Rio Claro.

A Serra do Caparaó estende-se entre os estados de ES e MG no sentido norte-sul, estando sua maior parte no Espírito Santo. O Rio Claro localiza-se na porção noroeste e deságua no Rio José Pedro, que serve de divisa natural entre os dois estados. O leito do rio foi escavado durante milhares de anos e agora a água corre por entre as pedras quase sem trechos planos. O seu caminho natural é uma sucessão de rochas de diversos tamanhos, com o fundo forrado de cascalhos e cercado por uma exuberante mata.

Trecho 3

Início: 10h41min – Duração: 1 h, 18 min – Velocidade média: 0,9 km/h

Caminhar por entre as pedras, saltando e tendo que se agarrar em alguns pontos para conseguir avançar não é muito fácil. Mas isso foi o melhor tempero para nossa aventura e mostrou como é forte o companheirismo e a solidariedade entre os participantes. Sempre que alguém tinha dificuldades para superar um obstáculo aparecia uma mão amiga disposta a puxá-lo em segurança. Tênis destruído e picada de abelha? Logo aparecia uma fita adesiva e uma pomada para aliviar a dor.

Algumas pessoas mais corajosas aproveitaram os inúmeros represamentos naturais para nadar e mergulhar. A água fria parecia não ter efeito sobre eles. Outros preferiam fotografar e ser fotografados junto à tanta beleza natural. A cada passo descobríamos novos elementos daquele cenário fantástico.

Quando alcançamos o Poço do Encontro já a 1.125 metros de altitude fizemos uma longa parada para o descanso. Enquanto isso nosso lanche era preparado no local mesmo. Como era de se esperar apareceram os “sem-medo-de-água-fria” para mergulhar no poço a partir das rochas em sua margem, algumas a mais de seis metros de altura. Enquanto isso outros estavam descansando, conversando ou fotografando o local. Após o lanche nos despedimos do Rio Claro e partimos para mais uma trilha de mata.

Trecho 4

Início: 13h32min – Duração: 11 min – Velocidade média: 1,1 km/h

A trilha foi por uma mata bem fechada e com uma boa subida. Isso serviu como nosso reaquecimento após a parada no Poço do Encontro. No início passamos por uma belíssima cachoeira e no final estávamos em uma casa de fazenda aparentemente sem moradores.

Trecho 5

Início: 13h43min – Duração: 46 min – Velocidade média: 3 km/h

Uma estrada nos conduziu de volta ao ponto de partida. No caminho passamos por plantações de café, nascentes d’água, flores, animais de fazenda e outros elementos que tornam tão agradáveis caminhadas por estes lugares. O trecho foi quase que totalmente de descida e os mais apressadinhos já falavam sobre o churrasco e a música ao vivo que nos aguardavam em Alto Caparaó. Mas esta já é outra história…

La Belle Paris

teddsantana | 23 de março de 2012 | sem comentários
La Belle Paris

Creio que chamam Paris de “Cidade Luz” pela sua iluminação noturna e pelo brilho extraordinário emitido pela Torre Eiffel com seu tão arrojado sistema de luzes.

Mas há outra luz que encanta em Paris. A luz do dia. A luz que tudo revela, que põe à mostra os detalhes de sua arquitetura e séculos de história. E foi esta luz a que mais me acompanhou durante minhas caminhadas e passeios de bicicleta para fotografar Paris.

Em cada esquina, cada rua e edifício, sempre algo merecedor dos segundos preciosos que são necessários para ajustar o equipamento, apontar e disparar. E nos segundos seguintes, a internalização da expectativa do resultado, que somente será revelado nos momentos prazerosos de edição.

Ah sim, faço edição de minhas fotos. Já superei a fase onde se pensa que a bela fotografia é aquela onde a imagem resultante é a mais fiel possível à realidade. Felizmente superei, e hoje corto, desfoco, ajusto saturação, brilho, contraste e até mudo as tonalidades e cores. E o resultado? Bem, é aquele que me faz passar mais tempo apreciando a fotografia que o tempo que passei olhando o que foi fotografado.

Isso é fotografia. Pois fotografia tem que ser capaz de nos tirar da realidade para ver somente o que está aprisionado entre os quatro cantos daquele retângulo. Mesmo que por uma fração de segundos. E neste tempo ínfimo ou longo, gerar pensamentos e emoções. E assim a luz que foi congelada no momento do clique terá cumprido tão bem o seu papel de representar o assunto retratado.

E aqui estão algumas das fotos de Paris. Outras podem ser vistas em http://www.flickr.com/search/?w=56601967@N00&q=paris

RPPN Mata da Serra

teddsantana | 22 de março de 2012 | sem comentários
RPPN Mata da Serra

O assunto preservação do meio ambiente está em alta na sociedade atual. Afinal, falar sobre isso não custa nada e ajuda na lenta mudança dos valores nas pessoas. Mas melhor que falar é agir em prol desta causa. E umas das formas de se fazer isto é criando RPPN’s, que são Reservas Particulares do Patrimônio Natural. Estas unidades de conservação privada, reconhecida pelo poder público e gravada com perpetuidade a partir de um ato voluntário do proprietário da área, tem por objetivo principal conservar a diversidade biológica. Portanto o proprietário que abre mão da exploração agropecuária ou imobiliária de áreas de matas e cria uma RPPN contribui de forma extremamente importante para a conservação dessas áreas no Brasil.

Em julho de 2010 visitei a localidade de São Benedito em Vargem Alta, no interior do estado do Espírito Santo. Lá encontrei áreas remanescentes de mata atlântica e muita beleza natural. Era um final de tarde quando cheguei à RPPN Mata da Serra e fiquei encantado com a paisagem: mata densa, riacho, cachoeiras e uma luz avermelhada anunciando o crepúsculo. Saí do carro com minha câmera em punho e dei meus primeiros cliques ali, na estrada mesmo. Somente depois de saciada minha fome por imagens é que entramos no sítio.

A RPPN Mata da Serra é o fruto do esforço de dois irmãos – João Luiz Madureira Junior e Luiz Renato Madureira – que fizeram sua parte para preservar 14 hectares de mata nativa garantindo sua existência para as gerações futuras.

Minha estadia no local encerrou-se no dia seguinte, mas não sem antes percorrer diversas trilhas e tirar dezenas de fotografias. Esta experiência gratificante eu compartilho com vocês através de algumas fotos.

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